Sobre danielbucker

Biólogo por vocação e escritor por prazer. Aqui estão fraturas, processos de cura, pontos de vista, reflexões e joguinhos mortais com palavras. Ah, as fotos são minhas também. Bem-vindos a uma grande parte do meu mundo. Essa é a minha alma, exposta.

Aprendendo a ser só

Sempre ouvi na terapia que nós viemos sós e sós nos vamos. A terapia muitas vezes foi uma experiência que, quando eu resistia ao que estava aprendendo com meus erros e acertos, julgava um exercício de se tornar egoísta. E muitas vezes continuava com os velhos padrões de pensamento e atitudes, só para mais tarde, já com o conhecimento sobre mim do que daria errado, percebia que isso só me causava mais sofrimento. Meu professor de paleontologia (um argentino figuraça que era difícil entender a fala) sempre dizia: “Cuidado para não se apaixonar por sua teoria, você pode ter que abandoná-la.”.

A noção de que para se viver a dois deve-se ter muito em comum pode ser perigosa. É como a energia nuclear: pode-se criar outra forma de energia ou fazer uma bomba capaz de destruir e deixar consequências nefastas por anos. Afinidade é sempre bom. Rende bons assuntos, boas risadas, saídas para lugares em que ambos se divertirão, filmes e séries maratonados o final de semana inteiro, uma delícia. O problema é quando eu acho que sou o outro. Ou que o outro sou eu. É uma porteira aberta para o controle, as exigências de que o outro reaja como eu, a falta de respeito com a individualidade, ou a incompreensão do que para mim é a pessoa agindo como se não fosse ela mesma. Se tem uma coisa que aprendi é que não há nada que o outro me ofereça que no seja ele mesmo. Absolutamente nada.

Descobri que para conviver com o outro (e o outro pode ser família, amigos, relacionamento amoroso, ou o que mais inventarem) é preciso aprender a ser só. Entender que em algum ponto eu começo e o outro termina, identificar onde isso fica e NÃO ULTRAPASSAR NUNCA. Ou reconhecer quando isso aconteceu, dar a meia volta e tentar reparar os danos. Isso é uma afronta, uma violência. Não posso determinar os rumos da vida de ninguém, criticar seus valores ou impor meus objetivos. E Deus sabe que fiz isso. E como fiz!

Mas de nada adianta esse mea culpa sem continuar a caminhada com outra atitude. E isso para mim é aprender a viver só. Entender que quem supre minha carência sou eu, e não há nada que supra mais a carência do que dar sem esperar nada em troca, pois isso me faz sentir amor puro vindo de mim mesmo. Cuidando da minha saúde mental e física, sabendo que só uma pessoa inteira pode se relacionar com outra. E entendendo de uma vez por todas que ninguém vai reagir como eu espero e que não sou referência para absolutamente nada.

Eu sou eu. Meu universo, meus valores, minhas ambições, minha vida. E que não devo me atrever a entrar em outro universo sem permissão ou impor o movimento dos planetas que rege o meu ao outro. E que ninguém se atreva a tentar mexer no meu. Adaptação, negociação, e ajustes, são básicos e necessários, caso contrário é melhor estar só de fato. Mas para estar com o outro é melhor estar bem só. Caso contrário eu não tenho nada a oferecer. Apenas tirar.

Natureza exata

Tanta dor

Cheia de tanta euforia e choro de felicidade
A dor que se vê porque o riso é tão alto
Como se quisesse calar alguma coisa
Sufocar tudo

Tantos segredos
Cheios de raízes entrelaçadas no subsolo
Tomando conta de tudo, ocultos da luz do Sol
Guiando todos os caminhos
Opressivamente insuspeitos


E a raiva
Que já não se sabe mais de que, reprimida
Por trás dos olhos serenos e bondosos
Manipulando uma passividade agressivamente tóxica

Medo
Por trás de toda essa estrutura degradada
Medo que não paralisa, pelo contrário
Faz fugir o mais longe possível
Atacando quando detectado
O velho amigo do velho adicto
Parasitando a alma que já não conhece a paz
Até o dia de hoje

Estrelas

Estrelas de pequena grandeza
Iluminam o meu céu
O mundo não as vê
Desprezíveis, deslocadas de constelações
Ofuscadas pelas luzes da cidade

Estrelas assim são assim ignoradas
Mas sua luz me guia pela noite
Seu sorriso belo e iluminado
Inunda de um amor que poucos conhecem
Apenas os iniciados saberiam 
Aqueles que viram a morte de perto
E seu beijo deixaram para depois

Estrelas brilham e muitas já não existem
E até hoje sua luz chega até nós
Como consequências boas de um plantio duro
Como lembrança de um sorriso de mãe na infância
Mas sua luz nunca se apagará

Habito entre elas
No silêncio sem ar do espaço sideral
E emano tudo o que delas recebi
Porque sou feito do mesmo fogo
E um dia morrerei sem que o mundo me veja

Para calar o silêncio

Quando ousei dizer o que gritava em silêncio
O medo e o tempo e tantos outros agentes da paralisia
Pressionavam para que eu não parisse
Esse horrendo feto deformado e insuspeito

Noites e dias de insônia e pânico
O horror da inércia rastejante vestida de costume
Meu tenebroso fantasma a rondar
E as circunstâncias a sussurrar: Para todo o sempre!

Os santos se calaram de indignada estupefação
Os demônios se calaram por tédio sem fim
Os homens comuns nem deram confiança
E o resto do universo se moveu quase imperceptivelmente

Pois que os santos sejam empalados violentamente
E os demônios fujam aos berros em línguas de fogo
E os homens e o universo se fodam
Junto com fantasmas e fetos deformados e toda essa nojeira

Pois meu grito será impossível de ser esquecido

E machucará os ouvidos de muitos
E trará sobre mim a fúria dos conformistas
E será angustiante e longo e muito alto
Porquanto não mais sofrerei calado em minha solidão superlotada

Pois a verdade é uma coisa estranha
Muitos dizem que a desejam, mas na verdade a temem
E se você a alcançou, não tente aprisioná-la
Pois será como um gato enfurecido encurralado dentro do peito

Quando ousei dizer o que gritava em silêncio
A paralisia se foi com o medo e o tempo voltou a passar
E a feia e deformada verdade se dissolveu em remédio para a alma
E toda a dor desse momento redundou em paz depois do choque

Não há mais santos, demônios, homens ou o universo
Apenas a minha realidade, sem julgamentos, angústia ou gritos abafados
Pois omissões e segredos não sobrevivem na luz
E não mais alimentarão os monstros que um dia ali habitaram

Pois ao abrir da boca os sussurros doentios se calaram para sempre

Metamorfoses

Pequeno surto a respeito do texto As Três Metamorfoses de Nietzsche, em A Gaia Ciência.

Tentativas de chegar ao ponto em que todos estão, de ignorar os sinais mais óbvios de que as soluções fazem parte do problema, frustradas. Frustrado por não fazer parte da maioria, tentando encaixar uma peça quadrada num encaixe redondo, e tirando a arestas para caber. A peça não é para aquele buraco. Não importa quantas vezes você tente. E vamos tentar outra vez, colando tudo com durex. Mas una hora o durex perde a cola.

Todas as vezes que tentei me encaixar em algo que não me cabia, foi a mesma coisa: por um tempo até me sentia confortável, talvez por sentir que aquele novo espaço me coubesse. Isso porque sou maleável. Mas chega uma hora que é preciso voltar ao seu tamanho original, porque é da natureza e pronto. E daí começa a dar problema.

Às vezes mudo de forma como resultado de alguma evolução, algum aprendizado, e daí procuro um lugar mais adequado. Isso é bem diferente de forçar o encaixe onde não pertenço. Bem diferente. Mas demorou muito tempo para perceber isso. A maior parte da vida aprendemos, na escola, no trabalho, na família e na vida social, que precisamos nos encaixar. É necessária alguma adaptação, claro. Mas quero mudar minha essência para isso. Isso não é adequação, é estupro.

Talvez poucas pessoas cheguem à conclusão de que estão no lugar errado. A maioria sente um incômodo, um vazio, mas segue com a vida. Uma certa alegria por estar no meio da multidão, adequado, compensa isso. No meu caso não. Ignorar isso é pena de morte. Literalmente.

Não existem fórmulas para encontrar o próprio caminho. Se houvessem, não seria o próprio caminho. Quando leio Nietzsche falando sobre isso, até me choca. Mas ele tem razão: é preciso se desprender de tudo e se perder um pouco, ir para o deserto rugindo de insatisfação antes de se tornar uma criança, inocente apesar de não ser ingênua. Essa criança vive sua própria realidade, porque sabe que não pode viver outra. Seria impossível.

Atarantado no meio de escolhas que são só minhas para fazer, me deparo com o fato de que não me ensinaram a fazê-las, porque as opções disponíveis sempre foram as dos outros anteriores a mim. Existe alguma outra coisa? Ah, e como existe! Mas isso não está disponível para quem se apega ao medo. Isso é para quem se borra de medo mas segue em frente em busca de algo que seja real, não programado por outras almas.

Quando isso termina? Não termina. Não pra mim. Não há retorno para quem já não se sabe mais o mesmo. Pois o mesmo é a morte. E a descoberta está oculta nos dias que virão.

Ontem, hoje e amanhã

Ultimamente há fumaça no horizonte e eu não sei por que
Enfiamos a cara no trabalho e tentamos não pensar
Qua a nossa vida passa voando como uma rápida conexão de internet
E o encanto passou como qualquer coisa que já foi especial
Um dia talvez eu tente mostrar o que já fez meu peito arfar
Mas isso não tem importância hoje

Hoje tentei ver um pouco melhor tudo aquilo que chamei de precioso
Mas o valor já não vale mais tanto
Inflacionado, convertido em moeda fraca
Dizem que cresci, mas tudo ainda é como antes
Jogos, medos, brincadeiras e desigualdade
Mas nada me surpreende muito como o fazia ontem

Ontem sonhei com… acho que não sonhei
E os flamboyants já não me protegem mais do sol
Árvores esqueléticas se projetam para o céu
Como um filme de Tim Burton, mas sem a arte
Sem a alma
Procurando algo para me levar ao amanhã

Amanhã sentirei cansaço, como hoje senti
E saberei que tudo volta aos seus eixos eternos
Tocarei novamente seu rosto, meu amigo
E sentiremos tudo o que nosso entorpecimento permitir
E diremos que o inferno são os outros
Enquanto queimamos nas chamas eternas da auto-condenação

Ultimamente não há nada nos olhares
E nenhuma celebridade me inspira com suas habilidades
Sorvo o vento como cocaína
Mas não passa de bicarbonato
E isso não passa de desencanto
Sopro vida nesse barro, doce esperança
Pois todos os dias se passam hoje
Seja na memória
Seja na esperança

Crescer

Leva um longo tempo para se percorrer os caminhos de volta dos enganos nos quais se acredita por tanto tempo. É preciso uma boa dose de boa vontade para descortinar as negações mais profundas que impedem de se ver tudo aquilo que precisa ser tratado, como uma bandagem bonita sobre uma ferida infecta que já não dói mais no local, mas gangrena já um membro inteiro. É preciso coragem para largar velhas crenças limitantes, que já se tornaram grades brilhantes de uma prisão confortável. Talvez, só talvez, tudo isso poderia ser ignorado por já se estar acostumado a carregar umas arrobas a mais nos ombros, pois a corcunda já está bem calosa e afinal, quase todo mundo vive assim. Mas não pra mim.

Todos os dias enxergo um novo obstáculo, que para ser superado exige que eu largue alguma coisa muito difícil de se abrir mão. Difícil no nível de se perder um olho, ou algo assim. Só que não é nunca um olho, mas uma lente colada sobre ele por anos. Por isso dói. Mas enxergar melhor vale a pena. Só não se sabe antes de tirá-la que vai se poder enxergar sem ela. Todo esse processo desgasta, e ao se arrancar a cola, as feridas que ficam levam um tempo para se fechar. Mas elas se fecham, deixando uma cicatriz feia, mas forte e protetora. E o desgaste dá vontade de parar a caminhada. Viver em constante reforma é viver em constante destruição, antes da reconstrução. Então de vez em quando se dá uma folga para os pedreiros.

Mas chove. E venta. E ladrões levam embora o material de construção, e os muros desprotegidos podem ruir. Não dá pra parar. Não dá pra deixar pra depois um crescimento que deve ser constante, ou pode-se perder tudo o que foi feito. Trabalhoso. Cansativo. E não existe caminho de volta, apenas para o fundo de um novo e desconhecido poço. Descansar talvez um pouco, mas seguir em frente sempre, é pré-requisito para não se perder.

Sempre acreditei que tudo isso fosse sobre o amor. Mas é sobre conhecimento. E abandono do controle. E enfrentamento de medos. O amor é uma consequência. A cereja do bolo.

Hoje entendo que não sei de nada, realmente. E quando achei que sabia, parei de aprender. E parar de aprender é cegueira, surdez e insensibilidade tátil.

Denso? Não, é simples. Apenas abaixo da superfície.

Autobiográfico

“‘Cause darling I’m a nightmere dressed up like a daydream.” Taylor Swift

O céu negro irrompe ao abrir de olhos em mais uma manhã fria. É difícil não admirar o céu de estrelas elétricas aos pés do morro. Tateio pelo lugar que conheço bem, em busca de café, marmita, cigarro. Encontro alguma paz no cheio forte da caixinha de areia dos gatos. Ninguém me observa, ninguém testemunha minha monótona rotina, ou imagina o que explode nessa hora em meu cérebro inquieto.

Os fios soltos dos novelos de ontem começam a ser puxados por gatos malignos e indiferentes, trazendo tudo para fora. E ciclos intermináveis de argumentos e contra-argumentos furiosos. Peito em brasa, viagem em loop temporal, me distancia do presente. Apenas o passado e o futuro, o passado e o futuro, o passado e o futuro. A angústia e a euforia ciclando infindavelmente até a exaustão que não chega.

Por fora, apenas um homem sentado na mesinha de madeira da varanda.
Bebericando um café e dando mais um longo trago no cigarro de filtro amarelo. Fitando um gato branco de olhos arregalados (será que ele enxerga pensamentos?), e a luz vai gradativamente aumentando sem que eu perceba ou permita. O dia vai nascendo impetuosamente sem pedir licença para quem surta. E a cabeça pende de olhos fechados com um murmúrio nos lábios:

Deus, ajuda-me. Aquele dia naquela conversa eu… Mas então não saberia se… Por que não disse… Por que não disse não, e parei o fluxo de… Estando eu ali não sei se… Alguém me reprime. Alguém tenta estabelecer seu poder sobre mim. Mas já não sei se é bem isso, ou se a minha realidade está distorcida. Onde perdi a referência? Como voltar? Tira de mim essa dor. Tira de mim antes que eu tire de vez.

E ainda nem são seis da manhã. Hora de sair para o trabalho, embaixo do chuveiro o cheiro de sabonete. Delicioso.

Perfumada está a alma. Com os pensamentos todos em seu fluxo organizado e a clareza de quem colocou o caos à luz da consciência. Já se passou um ano desde que as manhãs começaram a ficar assim. E a realidade agora dista dos pesadelos acordado, e o presente é vivido plenamente por quem se cansou de sonhar e de se lembrar. E o sol se impôs ali no céu. Enquanto seguir esse caminho, nada terei a temer.

Barragem

Quero chorar desconsoladamente. Copiosa, desmedidamente. Pois o que é esse peso em meu peito, senão uma torrente de lágrimas presas pela barragem de um coração que aprendeu a negá-las?

Quero chorar abundantemente. Mas não sei chorar, pois aprendi a correr para a mente. E em meio a tantas racionalizações encontro explicação para cada coisa que sinto em busca de paz. E a encontro, para então perdê-la novamente.

Quero chorar, um pranto farto e alto e cheio de soluços deselegantes e escandalosos, enquanto despedaço as paredes aos socos e rompo as minhas paredes. E finalmente mostro ao mundo o tamanho da dor que ele nega, assim como me ensinou.

Quero chorar, porque doce é o gosto do sal das lágrimas. Amargo é o ódio, a falta de amor desse mundo estranho, que reduz as pessoas a pecinhas em sua engrenagem. E já vi mais de um ser amado tragado por esse horror, que é se anular tentando mostrar sua força. Que força?

A força são as lágrimas. A força é conhecer minha fraqueza, e respeitá-la. É não tomar anabolizantes para os músculos da alma, que apenas incham, destruindo todo o resto. A força é me saber fraco e me render a quem pode mais do que eu. Minha força é minha entrega, aos prantos, ao único Pai que sei perfeito. Ele sabe me fazer chorar, para me dar o alívio ao final.

Quero chorar pois só o choro vai me fazer sorrir de novo. Apenas vazio posso receber aquilo que é novo, e belo, e que me é caro. O que eu quero, afinal, é me saber inteiro. Então destruo o edifício condenado, para só então construir uma moradia perene.

Cúmplice

E se eu jogasse o meu cansaço sobre você
E todas as tentativas frustradas de superar alguma coisa já arraigada aqui
E se eu jogasse todo o meu cansaço sobre esse corpo subjugado
E todas as mentiras nas quais alguém um dia acreditou?

O medo cresceria em progressão geométrica
Ao me deitar e fitar a escuridão no lugar do teto
E a pressão, velha conhecida do coração reduzido a uma bomba velha
Aumentaria enquanto rumino toda essa informação inútil?

E se eu dissesse que já não sei mais o que quero
Pois aprendi a não querer para não destruir a sala, o quarto, a mente
E se eu fizesse tudo o que quero dentro de uma bolha a prova de som?
E se enfim a realidade caísse como um piano sobre nossas cabeças?

Confiança, a carta de crédito entregue sem garantias
Confiança cega, que não é vã porque sozinha se paga
Olho ao redor sabendo que não é real
Mas o que seria?

Adoeci terrivelmente de uma chaga mortal
Capaz de levar embora até quem em mim confia
Escolhi estar ao lado de quem talvez pudesse
Acreditar que havia esperança ainda que tardia

E de olhos fechados e ouvidos tapados
Caminho por uma estrada desconhecida
E já não me pergunto o que haverá adiante
Pois já não importa o amanhã, desde que o hoje tenha valido a pena

Fui tomado de amor para todo o sempre
Aquele que não dói, ao contrário do habitual
Me sei hoje mais sábio por ser um tolo
E o mundo repentinamente se abriu para mim

Porque nos damos as mãos sem nos tocarmos
E transformamos a rotina numa coisa extraordinária
Porque o resto do mundo não saberia sobreviver a um terço
Do que enfrentamos todos os dias em nós mesmos e nessa cidade

Abra os olhos, porque os sonhos são piores que o mundo
E fique em segurança em nossa cama que perfumamos de suor
Os pesadelos ainda se tornarão realidade por toda a vida
Mas a alma a seu lado jamais desertará enquanto lhe pertencer