Só por hoje

Aprendi a viver só por hoje.

Só por hoje vou viver cada momento como se fosse o último.

Só por hoje não vou me destruir dizendo a mim mesmo que preciso de alguma coisa para “relaxar”.

Só por hoje, não vou julgar alguém ou a mim mesmo.

Só por hoje, amarei até os meus inimigos, sabendo que eles são humanos como eu.

Só por hoje, mesmo tentando não errar, saberei que estou sujeito a erros, e não vou me afogar em culpa por eles.

Só por hoje não preciso fazer mal a mim mesmo nunca mais.

Só por hoje, vou me lembrar que tenho um Pai amoroso nos céus, que cuida de mim.

A espera e a fé

Vivendo em uma época imediatista como a nossa, é fácil nos desviarmos de alguns princípios básicos do evangelho que não combinam com esse imediatismo. Muitas vezes tentamos adaptar Deus a nosso imediatismo, criando até mesmo teologias que defendem que Deus tem compromissos com nossos sonhos e nossos desejos, ao invés do contrário. Nossa cultura importada fast-food, muitas vezes tem deixado para trás uma coisa muito importante, e das mais prioritárias no que concerne ao caráter cristão: a capacidade de esperar.
Queremos respostas imediatas às nossas oracões; achamos que se Deus não nos der aquilo que queremos quando queremos, algo está errado conosco ou com nossa fé. Mas não é assim que deveria ser. Quando precisamos esperar por algo que pedimos ao Pai, esta (a espera) é a ferrmenta usada por Ele para nos tornar mais perseverantes e pacientes, e isso fortalece nossa fé. Devemos nos alegrar nas provações, pois estas trazem maturidade e perseverança (Tg 1:2-4).
Portanto, precisamos aproveitar esses momentos nos quais somos levados a esperar e confiar em Deus. Isso faz parte da nossa santificação. Certamente, não é o que mais nos agrada de imediato. Porém, é o que nos conduz à paz e à intimidade com o Pai.
Um grande abraço
Daniel Bücker

De volta para casa

Estou de volta em casa. Após um longo e tenebroso inverno (quase 7 anos) longe de BH, estou de volta à terrinha. Mas algumas coisas (ou melhor, muitas) mudaram nesse filho de Minas após a estadia em terras amazônicas.
Porto Velho me ensinou a ter uma visão global das coisas. As pessoas vêm de terras diferentes (Paraná, Ceará, Paraíba, Goiás, Distrito Federal, Mato grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bolívia), e cada uma tem uma história que pode ser contada de um ponto de vista trágico ou cômico. Tudo depende do ponto de vista, aliás. Mas uma coisa é certa: aprendi a enxergar aquelas terras como um exílio moral e espiritual. Um lugar para se repensar todas as coisas. Acredito ser eu um dos poucos que pensam assim. Talvez essa seja só a minha experiência.
Percebi que só voltei de lá quando aprendi a respeitar as pessoas. Respeitar as diferenças. Não rotular como inferior ou superior aquilo que é diferente de mim. Sào experiências ricas as quais experimentei. Tive pessoas ao meu lado que não pereciam ser nada para mim e revelaram-se as mais importantes. Tive pessoas ao meu lado que se diziam as mais importantes: mudaram de diração como o vento. Mas a vida não é assim mesmo? É claro que é, mas eu não enxergava isso. Precisei de um exílio.
Em tudo isso, o que melhor aprendi foi a depender de Deus. Buscar Sua presença com ansiedade. Muitas vezes, quando Deus parece estar mais distante é que ele está mais próximo. Isso ficou claro para mim. Porto Velho foi um local de conhecer a Deus, de achegar-se a Ele. Um local onde Deus estava bem perto, apesar de não se mostrar assim.
“Eu prefiro estar num deserto
E ter o Senhor bem por perto
Se guiado por teu Espírito sou
Não importa o lugar onde estou
Eu não temerei
Tua presença, tua presença
Faz toda a diferença”
Ana Paula Valadão Bessa
Isso passou a ser uma realidade. É por essas principais razões que Porto Velho é um local precioso para mim. Precioso como os amigos que lá ficaram. precioso como a presença de Deus.
Um grande abraço
Daniel Bücker

A sós com Deus

Mais uma noite insone, embalado pela cafeína do chá mate com limão que sofregamente bebi geladinho há pouco. Converso com uma amiga no msn (insone também), enquanto minha esposa dorme profundamente. Agora chega o momento de estar introspectivo, parar tudo enquanto a madrugada voa e olhar para dentro de mim mesmo, buscando as mudanças que ainda anseio por fazer e aquelas que consegui executar. Sempre poucas, muito poucas. 

É nesse momento que começo a conversar com Deus, e abrir meu coração. Dizer as coisas que tanto me incomodam e também aquelas que me animam a continuar buscando meus objetivos e anseios. Despejar ansiedades. Agradecer pelo ar condicionado, o chá mate geladinho e outros confortos que são tão importantes em uma cidade quante como Porto Velho. Agradecer por ter uma esposa maravilhosa, compreensiva, companheira e sempre alegre. Louvar e adorar livremente com a liberdade que recebi ao ser resgatado de tão vã maneira de viver. Esse é o momento que pertence só a nós dois, eu e meu amado Jesus.

Eu poderia falr por muito tempo a respeito desses momentos que passei a Seu lado, mas acho que é mais ilustrativo dizer do tempo em que passei longe. Não digo longe por estar fora da instituição igreja, ou por estar cometendo pecados "cabeludos". Não, não… me refiro ao tempo em que passei sem buscar a Ele todos os dias (ou melhor, noites).

Sabe, às vezes entendo quando algumas ´pessoas dizem que a vida é uma droga. Realmente, esses meses que passei sem buscar a face de Deus me foram penosos e doloridos. Sem consolo ou alívio. Sem um colo que realmente me consolasse quando quisesse chorar. Exausto, ansioso, sem porto. Uma droga.

Hoje entendo que fomos criados para nos relacionar com Deus. Sem Ele, nos sentimos sozinhos, mesmo tendo pessoas que nos amam muito e que amamos muito também, ao nosso redor. Algo falta. Alguém falta.

Portanto me pus a voltar desesperadamente para o colo daquele que me redimiu. E a gritar por seu socorro bem presente na angústia.

Não o busquei tendo um problema prático a apresentar. Apenas senti sua falta, e isso ,e doeu profundamente o coração. Minha alma se apresentou como uma terra rachada e seca, em processo de desertificação. Mas eu o busquei de todo coração e o achei. Ele me deu a beber de graça da água da vida. Ele falou comigo e me trouxe de volta. De volta à sua presença.

Esse texto não tem referências bíblicas intencionalmente. Apenas citei algumas sem citar a fonte. O que quero dizer com isso? Quero dizer que a Palavra de Deus não deve estar gravada em nossas mentes como um cartucho cheio de balas a serem disparadas. É claro que não tenho nada contra decorar versículos, pelo contrário. Mas o mais importante para mim é viver a Palavra. Que ela esteja tão impregnada em nossa vida que faça parte de nossa linguagem corriqueira. Que falemos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais. Afinal, nós somos o santuário. De nós deve emacar o doce som da voz do Amado, como o som de um órgão de tubos deve ecoar pela nave de uma catedral.