Para calar o silêncio

Quando ousei dizer o que gritava em silêncio
O medo e o tempo e tantos outros agentes da paralisia
Pressionavam para que eu não parisse
Esse horrendo feto deformado e insuspeito

Noites e dias de insônia e pânico
O horror da inércia rastejante vestida de costume
Meu tenebroso fantasma a rondar
E as circunstâncias a sussurrar: Para todo o sempre!

Os santos se calaram de indignada estupefação
Os demônios se calaram por tédio sem fim
Os homens comuns nem deram confiança
E o resto do universo se moveu quase imperceptivelmente

Pois que os santos sejam empalados violentamente
E os demônios fujam aos berros em línguas de fogo
E os homens e o universo se fodam
Junto com fantasmas e fetos deformados e toda essa nojeira

Pois meu grito será impossível de ser esquecido

E machucará os ouvidos de muitos
E trará sobre mim a fúria dos conformistas
E será angustiante e longo e muito alto
Porquanto não mais sofrerei calado em minha solidão superlotada

Pois a verdade é uma coisa estranha
Muitos dizem que a desejam, mas na verdade a temem
E se você a alcançou, não tente aprisioná-la
Pois será como um gato enfurecido encurralado dentro do peito

Quando ousei dizer o que gritava em silêncio
A paralisia se foi com o medo e o tempo voltou a passar
E a feia e deformada verdade se dissolveu em remédio para a alma
E toda a dor desse momento redundou em paz depois do choque

Não há mais santos, demônios, homens ou o universo
Apenas a minha realidade, sem julgamentos, angústia ou gritos abafados
Pois omissões e segredos não sobrevivem na luz
E não mais alimentarão os monstros que um dia ali habitaram

Pois ao abrir da boca os sussurros doentios se calaram para sempre

Alma (demônios)

“Power resides where men believe it resides. It’s a trick: a shadow on the wall.” Lord Varys (Game of Thrones season 02)

Onde estão os demônios que assolavam sua vida há umas boas décadas? Onde se escondem? Por onde rastejam com suas línguas bífidas, arranhando as pedras do chão com suas garras? Para onde direcionam seus gigantescos olhos amarelos ameaçadores? De qual medo agora se alimentam vorazmente com suas presas cravadas nas artérias? Quem os comanda às gargalhadas ao ver o sofrimento infindável?

Todas aquelas hordas de criaturas feitas de fragmentos da alma, a flutuar ao seu redor, incitando o ódio e o ressentimento, ao vibrar na sintonia da morte espiritual que parece não ter fim… todas as paranóias e desejos de sangue e carne… de onde vieram? Por que nunca vão embora? A loucura toca os sonhos em seu domínio, e nada mais faz sentido algum.

Um dia eles foram embora junto com sua crença de que você fazia parte de seus vícios. Um dia você decidiu que simplesmente olharia para o outro lado, e eles se transformaram em fumaça branca e fétida. Deixaram sua alma fragmentada para trás, e um bocado de trabalho a ser feito. Ainda doía. Ainda faltava muita coisa. Mas seus olhos fitavam o caminho à frente. Longo, penoso, mas certo.

Às vezes você pode sentir saudade de sua companhia, seus vícios, toda a horrível vida, mas que ao menos lhe era familiar. Às vezes você gostaria de invocá-los. Mas você sabe: eles só podem fazer o que você acredita que eles podem. Nem um dano a mais.

Uma história de dois fatores

Essa é uma história verídica, a minha história. Daria um filme de Almodóvar ou talvez Tarantino, mas acredito que possa servir para ensinar algo ou mesmo entreter. Mas o que mais escuto ao compartilhá-la é: nem tudo é o que parece.

Sou uma pessoa singular. Quem não é, não é mesmo? Mas eu tenho certas características que me distinguem da maioria, e por causa delas eu talvez não devesse estar mais aqui, na terra dos viventes. Exagero? Bom, você vai julgar. Me deixe contar um pouco da minha história.

Sou um adicto. Isso significa que, em fases bem iniciais da minha vida, algo atrapalhou meu desenvolvimento psíquico, quando passamos a ter consciência do mundo a nossa volta e nos percebemos parte de algo maior. Um adicto tem a tendência a se enxergar no centro do universo, e assim egocêntrico, busca satisfazer suas necessidades não considerando as de mais ninguém. Essa busca é obsessiva, e quando há uma obsessão por algo, ela se torna uma compulsão. Em geral, nada é capaz de satisfazer essa compulsão, e isso nos leva a buscar algo que altere nossa mente e nosso humor. Essa acaba sendo a obsessão e compulsão definitiva para nós: as drogas.

Drogas podem se apresentar de várias maneiras. Álcool, maconha, cocaína, crack, drogas sintéticas, LSD, heroína e variantes. Mas não importa a qual ou quais você tem acesso, você vai brigar por elas. Elas são a razão da sua vida, o centro da sua existência.

Passei por várias fases no uso de drogas. Desde fumar maconha na faculdade e me embebedar nas festinhas até buscar cocaína para injetar e a derradeira, fumar crack sozinho dentro de casa após ter causado um divórcio, definhando até perder 30% do meu peso corporal. Passei por 3 internações em um hospital psiquiátrico, quase não consegui defender meu mestrado e quase perdi um emprego público por faltas.

Existem várias razões que podem ser apontadas para esse uso abusivo. Por ser gay, nunca tive problemas com minha família, uma boa família que sempre me apoiou. Porém, tive uma crise religiosa por ser cristão, achando que iria para o inferno, busquei ser “curado” em uma igreja evangélica renovada. Acabei conhecendo quem se tornaria minha esposa, minha melhor amiga que, ciente da minha orientação, acreditava que Deus havia me mudado. Bem, eu também acteditava nisso. E anos depois foi ela quem reconheceu que eu estava muito pressionado, e saiu de casa com uma única exigência: que eu fosse feliz realmente.

Tive outro casamento depois de mais duas recaídas, sempre salvo por uma internação e a ajuda de um grupo de homens e mulheres capazes de me ajudar a reconhecer os sinais da doença e dispostos a me ajudar a qualquer hora e em qualquer circunstância. Eles me ensinaram quase tudo o que eu sei sobre mim.

Casamentos acabam por diversos motivos, e o meu segundo acabou porque, pelo desgaste natural da relação que nós não soubemos administrar, tivemos uma idéia deveras estúpida: por permissão mútua, acabei tendo liberdade de me envolver com quem quisesse. Não preciso nem dizer que deu errado né? Alguém obsessivo e compulsivo com aplicativos de sexo na mão e a liberdade de frequentar saunas gays? É só pensar em crack: agora transforme essa substância em pessoas. É a mesma coisa. No fim, ele não suportou o abandono, eu me sentia abandonado por outros motivos e mais esse relacionamento acabou.

Agora me deixem falar um pouco sobre resiliência: todas as pessoas admiradas por essa características pensaram sim em desistir. Elas queriam muitas vezes estar mortas. Não se enganem: o tal do “forte” é aquele que reconheceu todas as suas fraquezas e decidiu que seguiria em frente com elas. Me lembro bem de uma oração que fiz logo após o meu primeiro divórcio: “Deus, se você vai me mandar para o inferno por ser gay, acho melhor do que me mandar para o inferno por ser um viciado. Eu não vou morrer assim.” Em geral a gente tem medo e vai com medo mesmo, está fraco e vai mais devagar, mas segue. E não se é nenhum herói por causa disso. Outras pessoas tem outros problemas que para elas são tão graves quanto o seu.

E assim eu sigo, vivendo um dia de cada vez, uns dias mais difíceis, outros muito alegres. E para terminar uma história tão pesada, para você que gosta de finais felizes (embora a vida continue, não é o final ainda) aí vai.

Me casei com um cara muito bacana, que passou por coisas terríveis também, mas de outra forma. Acho que pessoas com cicatrizes se entendem, e no nosso caso a alegria é prioridade. Três dias por semana, a nossa filha (filha biológica do primeiro casamento dele) faz a alegria da casa. Minha mãe de 81 anos também mora com a gente e faz tudo ficar mais leve. Ainda 4 gatos e 1 cachorro pug preto completam a população da casa.

Minha recuperação demanda tempo, umas 10 horas por semana, e é para a vida toda. Meu marido chama isso de investimento, e fala que a recuperação é para toda a família, não só para mim.

Minha ex-mulher se casou e foi para o interior. Tem uma filha de 8 anos. Seu marido é uma simpatia e somos muito amigos.

Mas o mais importante: estou vivo, estou limpo só por hoje (cabe a mim fazer todos os hojes assim) e sei que Deus vai me receber em seus braços quando eu morrer, porque Ele é meu Pai e me ama e ninguém me convence do contrário.

E TODO ADICTO PODE SE RECUPERAR SE TIVER ESSE DESEJO. Isso é uma verdade absoluta. Se você conhece alguém que precisa e deseja se recuperar, é só me chamar que eu posso apresentar uma turma muito especial.

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Foto: iStock.com/Getty Images

Olhos no retrovisor

Reinventei o passado para ver a beleza do futuro.” Louis Aragon

Arraste-me para os becos onde eu estive enfurnado pelos meus longos meses de alegre decadência. Quando eu sorria de prazer enquanto minha mente girava a 1000 quilômetros por hora, sem rumo certo ou expectativa de parar. Enquanto olhava para cima sem perceber a penetração lenta da adaga entre minhas costelas, tossindo sem sentir exatamente o que sangrava. Arraste-me para que eu veja o cenário de tais momentos e conheça o caminho para que possa nunca mais voltar.

Traumatize-me com a minha própria imagem a rastejar na poeira, procurando ouro entre cascalhos. Quando eu considerava uma migalha a minha salvação, por desejar tanto e ter tão pouco, tentando obter satisfação nas mãos de um demônio que oferecia toneladas para dar apenas 1 grama. Apenas 1 grama. Traumatize-me para que eu saiba de toda a humilhação que insisto em esquecer e deseje estar numa posição um pouco mais humana.

Eviscere-me com todos os sentimentos de vergonha e angústia por ter descido tão baixo, por só tomar, roubar, subtrair, para satisfação do meu próprio interesse. Quando enxergando meu umbigo eu só levantava os olhos para ver qual seria o meio que usaria de obter o que precisava, sem parar para pensar em algo além do que agora. Eviscera-me para que minha repulsa ao meu egocentrismo seja sistêmica, e possa expurgar talvez um pouco dessa montanha gigantesca do meu eu do centro do universo.

Ensina-me a enxergar tudo o que ignorei a respeito da minha própria inversão de valores. Pois o que me parece motivado por amor talvez seja negociação, e minha forma intensa de viver talvez não passe de compulsão. Ensina-me a olhar para algo que não seja minha obsessão infinita por tudo o que pode me satisfazer, mas não me satisfará nunca. Pois o buraco é sem fundo, mais embaixo e dentro de minha alma sedenta por coisas que não são as que procuro.

Enquanto honesto comigo mesmo, com a mente aberta para enxergar tudo sem medo do que vai aparecer e com a boa vontade de agir para acertar o que está errado, curar o que está doente e corrigir antigos rumos mal escolhidos, posso retornar dos mortos mais novo, mais limpo, mais puro e inteiro. Enquanto seguir esse caminho, nada terei a temer.

Moeda barata

“Do I have to change my name? Will it get me far? Should I lose some weight? Am I gonna be a star?” Madonna – American Life

Ao chegar em casa
Cansado da labuta diária
Pego meu controle remoto
Assisto às séries que amo
Ninguém é testemunha dos meus movimentos
Mas todos são testemunhas da minha vida

Tenho 824 amigos no Facebook
974 seguidores no Instagram
Participo de 10 grupos no Whatsapp
Cada um com mais de 40 membros
Muitos curtem minhas fotos
Muitos reagem aos meus posts
Muitos mandam bom dia
Ninguém sabe o que se passa comigo

Acredito que é o melhor
Ser conhecido por muitos
Desconhecido na realidade
Ontem passei mal em minha casa
Mas não postei nas redes
Pois todos têm uma vida incrível
Eu também preciso ter

Mas que tipo de vida eu tenho?
Não viajo todos os anos para o exterior
Malho mas não tomo o Whey mais caro
Não tenho namorada com corpo de modelo
Nunca consultei um coach para ser mais articulado
Todo mundo está vivendo mais do que eu
Então tiro fotos da minha varanda
E espero que gostem da minha roupa nova no espelho

E aquela menina da minha academia?
Olharia para mim?
Não tenho um carro do ano
Igual ao que o meu amigo postou ontem
Não tenho amigos que vêm à minha casa
Eles só me encontram no bar
E daí vêm as minhas melhores fotos

Um dia
Tirarei minha própria vida
Pois não faz sentido
Almejar o que eles têm
E não ter nada
E não ter como ter tudo
Talvez hoje

Enquanto isso as lágrimas rolavam, e no sabor salgado das mesmas, ele se dava conta de que as lágrimas não eram o sal: as lágrimas eram alguma coisa que não se resumia ao sal. Abriu os olhos, e viu a lua. Ele percebeu que a lua não era sua luz, mas uma coisa muito maior, que refletia a luz de outra coisa. E se deu conta do engano em que havia acreditado. Ter é diferente de ser. Então adormeceu.

Hoje saí na rua
E notei como é bonita a moça da padaria
Como é forte o meu vizinho
O quanto os cachorros da casa em frente
São cheios de vida
E percebi que tem crianças na vizinhança

Hoje notei
Que sou bom de papo
O rapaz do sacolão gostou
Aquela senhora que varre a calçada
Me achou simpático
Hoje notei
Que sou mais do que mostro
Mais do que escondo
Hoje notei
Que tenho mais a oferecer
Do que meus posts nas redes
Hoje eu reparei em mim
E gostei do que vi

Saio de casa
Há um trabalho a ser feito
Ando com a cabeça erguida
Pois o celular está no bolso
E a mente está no mundo
Será que hoje vou conhecer alguém especial
De carne e osso?
Uma moça, um amigo
Será que eles vão perceber?

Sou aquele que renasceu
Sou alguém que sempre teve muito a oferecer
Mas não acreditava nisso
Pois o que tenho não é igual ao resto do mercado
Quem sou não se enquadra
No que todo mundo demanda
Mas por que me preocupar?
Meu produto
Não se compra com a moeda barata
De uma vida de aparências

Ninguém

“Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.” Sigmund Freud

Insanidade em névoa que chega rompendo a barreira do som e esmigalhando o cérebro em mil pedaços. Egocentrismo líquido que perfura a pele e pega carona na corrente sanguínea na velocidade da luz. E de tanto juntar os cacos e tentar colá-los direitinho no lugar, um Frankenstein mal costurado acorda com um raio e se pergunta:

Quem sou eu?

Meio acordado, meio entorpecido, hora se sentindo um astro do rock mas por vezes um verme em um universo decomposto, mesmo assim deslocado em seu sentido. Tentando chegar mais perto da luz de uma estrela que talvez já tenha morrido há muito, muito tempo sem cogitar que isso seja uma possibilidade.

Quem sou eu?

Enquanto olhava por cima dos ombros e das cabeças da multidão, e a angústia lhe assaltava como um homem armado, nada via, nada se mostrava realmente. Apenas as alucinações de sua mente podiam lhe dar um vislumbre da realidade. Mas não era realmente, era?

Quem sou eu?

Sou um humilde violeiro, que canta na rodoviária, e alegra a menina que passa. Nesse momento sou um astro, que brilha no céu da menina que antes estava triste e agora entre seus lábios há uma linda canção.

Sou um verme rastejando entre as folhas mortas, ajudando a decompor em nutrientes o que já não é. E a bela árvore frondosa terá seu alimento. E ninguém saberá da minha existência.

E a insanidade, o egocentrismo e os cacos, tudo mantido ali, onde se possa enxergar. Trabalhoso mas em seu devido lugar. E a humildade então se tornou a mais alta ambição. E todos os medos se tornaram miniaturas, um Gulliver andando entre mini-demônios, a rir do que antes achou que tiraria sua vida.

Quem sou eu?

Eu sou aquele que descobriu que não é ninguém, e aí então encontrou a paz.

Duas realidades

estrada.jpg

Brilho!

E aquelas árvores que passam rápido demais por mim com um verde-Hulk agressivo, a disposição idiota das pessoas no metrô, a chuva fina que irrita e quando engrossa ameaça, o trabalho angustiante que deve ser feito em 2 milissegundos com 200 pessoas cobrando como se não vissem que você já está à beira de um infarto, a cara de cu eterna daquele ai, as plantas por regar a cada santo par de dias, bota ração pros gatos, faz comida, dever com a menina, cigarro que já não dá prazer, o pôr-do-sol maravilhoso que enjoa e toda essa sensação incômoda de angústia eterna no peito que aperta e sobe até a garganta sem sair e UM DIA EU MATO UM!

Sombra…

E a análise pormenorizada de cada gesto
Cada imagem
Cada intenção
Cada coisa que não tenho controle sobre
A cuidadosa coleta de fatos
Alimentando um grande buraco egocêntrico
De uma grande vítima
Sofrida
Tão injustiçada
Que precisa de tanta piedade
Pensando 40.000 vezes no mesmo tema
Até distorcê-lo totalmente

Brilho!

E o cérebro como cocaína a milhares de quilômetros por hora, sem saber se aquilo um dia teve princípio ou terá fim, as pessoas se transformando em vultos, meu corpo sem densidade e todos os planetas do universo atravessando a alma até que não haja mais energia capaz de sustentar mas SEMPRE HÁ ENERGIA e nunca vai parar. Nunca.

Sombra…

Não há energia
Não há vontade
Não há sentido
Não existe uma alma no universo
Vivendo na Terra
Onde habito há milhões de anos
E onde habitarei
Por mais milhares de anos
Dentro da minha concha

Todos os dias minhas mãos se entrelaçam com os dedos fluidos da energia do universo
Fluindo de todas as coisas que um dia já realizei
Positivas
Negativas
Recebo e entendo
Haverá um futuro onde tudo fará sentido e essas duas realidades
Se unirão
Entre si
Em meu peito
Em algum lugar
Onde a fúria e a melancolia
Serão apenas uma bela montanha-russa
De onde se aprecia a paisagem

Bipolar (rótulo e realidade)

Transtorno bipolar. Esse nome me assustou por muito tempo. Essa classificação assusta muita gente quando eu falo. Essa condição é confundida com tanta coisa que não tem nada a ver com a história… a verdade é que as condições mentais ainda são alvo de muito preconceito. Mas vamos ao lado luminoso da estrada? Com algumas ressalvas, é claro.

Quando em tratamento correto e sério, é possível conviver bem com isso e até tirar vantagem da situação. Não é confortável e não é o que você sempre sonhou, mas as pessoas ao seu redor têm a oportunidade de conviver com alguém que pensa muito bem antes de fazer alguma coisa, porque o equilíbrio é a nossa prioridade.

Por vezes não é suficiente pensar bem, e podemos machucar quem mais nos ama. Nessa hora não basta lembrar que somos bipolares, pois isso seria se esconder por trás da doença, e não resolve para quem foi ferido. É tentar consertar o estrago e identificar o que desencadeou tudo para evitar da próxima vez. Demanda muito esforço.

Ninguém é estável o tempo todo, e nós sofremos um pouco mais com isso. Mas eu tenho o poder de ter maior capacidade de análise sobre tudo o que acontece em minha vida quando as coisas vão lá pra baixo, e tenho energia e foco incomparáveis quando as coisas vão lá pra cima. Isso estando atento às necessidades de todos a minha volta. Claro que algumas vezes vai pra baixo ou pra cima demais. Daí meu amigo, o silêncio é seu maior aliado (e o mais difícil de se obter), mas passa. Sempre passa.

No fim das contas, tenho orgulho de ser quem sou. Ser eu mesmo não é pra qualquer um, não é a toa que foi dado a mim. Mas é maravilhoso! Os prazeres enormes me trazem de volta dos momentos tão sombrios…

Como vi em uma foto no Instagram de uma pichação em um muro: Odeio ser bipolar: é incrível!

* Repost modificado de 22/03/2017 do meu Instagram @dbucker.